domingo, 29 de março de 2020

A VIOLONCELISTA
Vestido largo comprido
Braços alvos elegantes
O seu fio preferido
E os seios palpitantes
Inspira, expira, demora...
Sugestiva em oração
Já nas mãos a alma mora
Á primeira vibração
O pescoço roda em transe
O arco percorre o espaço
Sobrolho nervoso franze
E o pé marca o compasso
Os loiros e finos cabelos
Perdem sua compostura
Os dedos ágeis e belos
Desnudam a partitura
O violoncelo é amante
Entre coxas tão febris
Movimentos incessantes
Até ao final, feliz!
Paulo Sena
Dezembro, 2017